III Capítulo – A viagem para Coimbra

Despediu-se da Tica Tukarina, com um bilhete de comboio na mão para o intercidades! O destino era Coimbra!

O Gala só sabia que era um transporte que levava pessoas de um lado para o outro, como o seu povo costumava visitar os vários planetas, fazia parte das suas aprendizagens saber algumas coisas de outros planetas, e sendo ele muito novo, só tinha ainda aprendido os meios de transportes, a flora e os animais, como a geologia da Terra. A humanidade era sempre a ultima matéria a ser partilhada com os aprendizes, porque era a mais complexa.

Lembrou-se de uma conversa com o seu pai!

-Oh Pai! Porque razão não estudamos primeiro os povos dos outros planetas? Estudamos tudo e os povos são sempre os últimos? Olha os Humanos! Dizem que são parecidos connosco e eu não sei nada! – terminou a fazer beicinho!

Ao qual o Pai respondeu com um brilho nos olhos – Sabes os Humanos estão em profunda transformação, e apesar de serem básicos em muitos aspectos, há um conjunto de coisas que os faz especiais entre todos os outros povos!

O quê? Eles tem pernas como nós, tem um cabelo pobre não tão vistoso como o nosso, e segundo algumas imagens que partilham parece que andam sempre em luta ou sisudos a andarem de um lado para o outro a imitarem outras espécies do planeta deles! Isso fá-los especiais? – perguntou com alguma irreverência na voz.

Eles têm as emoções que são o guia para viverem, mas muitos ainda não sabem usar, verdade! Têm a poesia dos movimentos e das palavras, a forma como falam entre si! Têm a melodia da música que inventaram para transformar a vida ao seu redor, comunicando com os outros seres que vivem por perto! Têm a sabedoria de sonhar e lutar por ideias de um planeta melhor! Eles falam de utopia do sonho de um mundo de Igualdade, Fraternidade e Liberdade, mesmo que nem sempre consigam concretiza-las! Meu filho eles sabem transformar as adversidades numa conquista, algo que apesar de estarmos muito desenvolvidos, ainda temos muitas dificuldades nesses aspectos. – respondeu-lhe o pai.

Não sei porque razão o pai gosta tanto deles! – afirmou o Gala com um olhar desconfiado.

Porque eles são o objecto de estudo e a minha profissão é estuda-los para partilhar na Seterenidade o seu desenvolvimento e o impacto para nós! – respondeu-lhe o pai.

03_Lisboa_Estação

O Gala acordou da memória da conversa com o pai, sentiu algo que não era costume, um aperto no peito por se lembrar do Pai.

A frente do comboio, viu que os humanos olhavam-no com uns olhares, mas ele não compreendia, se ao menos o pai estivesse ali, podia a ajuda-lo a perceber o significado!

E depois lembrou-se da voz da Tica Tukarina a gritar para ele a ouvir e a ecoar agora na sua cabeça – Oh GALA! QUANDO CHEGARES A ESTAÇÃO TENS DE ENTRAR NO COMBOIO E IRES PARA A CARRUAGEM QUE TEM ESSE NUMERO. SABES O QUE É UMA CARRUAGEM?

O Gala estava com os olhos esbugalhados que não percebia nada do que estava a acontecer, só se via que estava a andar a uma velocidade com o vento a dar pelos seus cabelos! E estes quase se vergavam! Isto era tudo novo! E esta humana chamada Tica Tukarina a falar com ele!

UMA CARRUAGEM É UMA PARTE DO COMBOIO QUE TEM UMA PORTA, SABES O QUE É UMA PORTA? TENS DE ENTRAR PARA LÁ, OLHA É COMO FIZESTE AGORA NO TUC-TUC! DEPOIS DÁS O BILHETE AO SR. PICA QUE TE PEDIR PARA FURAR.

Porta! Carruagem! Sr. Pica! Bilhete! Isto é muita confusão! – pensava ele, enquanto a Tica ia dando instruções!

DEPOIS SEGUES PARA COIMBRA, PARA CONHECERES MELHOR A HUMANIDADE É MELHOR FALARES COM AS OUTRAS LATITUNIENSES, MAS ELAS POR ESTES DIAS ESTÃO ESPALHADAS POR TODO PORTUGAL! POR ISSO SEGUES COIMBRA E VAIS FALAR COM A PRI! 

O Gala lá respondeu no mesmo tom: QUEM?

O tuc-tuc parou e ela com uma voz rouca e baixa respondeu: – PRI BAILARINA! Ela saberá o que vais necessitar de aprender! Será a 1ª que vais conhecer!

 

De volta a estação, está a olhar a colocar o pé dentro da carruagem nº 22, o lugar era o 38 mesmo ao lado da janela com vista para o horizonte, era a indicação que a Tica lhe havia dado! Mas ele só via a estação. Sentou-se e olhou para a janela ao mesmo tempo que olhava para tantos humanos! Eram mais ou menos do seu tamanho, ou seja baixos.

Mas falavam alto, mais alto que a Tica, e faziam uma coisa que o tinha assustado quando tinha ouvido pela primeira vez, quando o pai lhe mostrou – o riso e a gargalhada humana.

Passado alguns minutos o comboio começou a andar e o ruído diminuiu, sentiu vontade de fechar os olhos e abrir a boca, tão estranho tudo isto, nunca tinha feito nada disto!

Mas aquele comboio estava a manter sempre o mesmo movimento e ele estava tão cansado, fechou os olhos por um bocadinho!